FALLING IN LOVE IS INEVITABLE

FALLING IN LOVE IS INEVITABLE

To read the original version in the author's native language click here

“WHAT DO YOU BELIEVE IS TRUE BUT MOST PEOPLE DON’T AGREE WITH?”

I don’t have a clue! I believe it is because of my persistent thinking, which doesn’t quit reminding me that there are few things I can think of that are unique. Each idea I ever had, each theory I ever came up with, was always followed by the annoying realization that someone else had already thought of that (which is a bit overwhelming and seems to bring down any urge to create something new).

But fine, since the artist doesn’t fear exaggeration, the irrational metaphor, or the unstable affirmation, I will shut down the little annoying engineer inside myself and try to draft something that, in fact, I believe is true – and not only unpopular but also, I believe, profoundly groundbreaking. I mean, if we lived accordingly with this theory, any slander and impropriety towards others should always be ridiculed.

So, here it goes, my most recent mini-theory is fairly simple:

It is impossible not to love when you truly know someone. I repeat: It is impossible not to love when you truly know someone.

I really do believe this, and time has been proving me right. But how can it be impossible not to love someone? How can it be inevitable to love?

I mean love as in truly wishing the other well, as in having a sincere desire for the other to live well. And secondly, the key is in truly knowing, in fully grasping. What is needed to truly know someone, to truly grasp who the other is? Imagine A and B. How can A truly know B? I think there are only 3 necessary and sufficient conditions:

     1. A cannot be deaf

By deafness, I don’t mean having a deficiency in the auditory channel. I mean being unable to give room, to let itself be touched by the other’s story, such centricity on the self that prevents all possibility for the other’s openness. In the end, what is needed is that A has already grabbed its ego and thrown it to its deserved place – the recycling bin. It’s not worth it to throw Ego in the waste bin, but rather to treat and take advantage of it for the good.

2. B cannot be mute

Once again, muteness goes beyond the physical limitations, and closer to the inability of exposing the true self. It is necessary that B knows itself and is willing to share its inner motivations, its story, its sadnesses, interests, the foundation to its opinions. In the end, that B is available to speak about itself, to open up.

3. A and B must interact

Of course it is impossible to truly, truly, truly know someone (even to entirely know your own self) but, the closer you are to understand the other, to comprehend his motivations, to dive into his story, his motivations, his struggles and his decisionin-making foundations, the closer you are to an impossible-not-to-love situation. (And, again, by love here I don’t mean to be passionate about him, to like him or even to agree with his way of behaving. I mean a sincere will for the good of the other). Therefore, it is needed that A and B interact, spend time with each other, for knowledge to substantiate.

And, after fulfilling these 3 conditions, tchanan! A now loves B!

Yeah yeah, this is all very beautiful, peace and love and etc,… But now, my little Manuel, tell me: are you saying that if I have the chance to truly know Trump it would be impossible for me not to love him? AHAHAHAH!

Certainly! If you are truly willing to listen to Donald Trump, to let his story entrench your interior; if Donald is truly willing to open up to you, to share his motivations and most profound feelings; and if both you and him are committed to communicating fluidly, in granting the time for mutual understanding to occur – then I confidently bet that it will be difficult for you not to sincerely wish him well, for you not to love Donald.

And all because you will understand him, apprehend him, and understand why he is the way he is.

Another version of this mini-theory is: you can only hate (not love at all) those whom you don’t know.

This also has many beautiful implications and could be the motto for anti-racist movements and so on.

Now, I would like to leave you with a question – are A’s deafness or B’s muteness innate characteristics of A and B? If so, this theory loses strength, because it becomes impossible to truly get to know someone. But it doesn’t make it false, as it doesn’t contradict the hypothesis that when you get to truly know someone, it is impossible not to love them.

At last, I leave a challenge for myself (and those who would like to accept it as well, go ahead!) – may I not be mute, may I not be deaf, and may I wish to devote my time to get to know the other! My life (and, consequently, the world) will be much better, as I will look to those I least esteem with greater openness, more willing to actually get to know them.

Let’s get to truly know the other, and we will sincerely wish him well.

“O QUE ACREDITAS SER VERDADE MAS A MAIORIA DAS PESSOAS NÃO CONCORDA?”

Sei lá! Não faço a menor ideia! Acredito que seja o meu persistente pensar que não desiste de me lembrar que há pouca coisa em que eu possa acreditar que seja única. Cada ideia que fui tendo, cada teoria que fui criando foi sempre sucedida da irritante sensação de que já alguém se tinha lembrado disso! O que é um bocadinho esmagador e parece deitar abaixo qualquer ímpeto de querer criar algo novo.

Mas vá, já que o artista não teme o exagero, a metáfora irracional e a afirmação instável, vou calar o meu pequeno lado de engenheiro chato e tentar esboçar uma ideia que, de facto, acredito que é verdade mas que é não só impopular como também, creio, profundamente avassaladora. Isto é, se vivêssemos de forma coerente com o conteúdo desta teoria qualquer maledicência e impropério a terceiros deveria ser sempre ridicularizado.

Ora cá vai, a minha mais recente mini-teoria é muito simples e diz assim:

É impossível não amar quando se conhece verdadeiramente alguém. Repito: É impossível não amar quando se conhece verdadeiramente alguém.

Acredito realmente nisto e o tempo tem-me vindo a confirmá-lo. Ah, mas como raio é que pode ser impossível não amar? Como é que pode ser inevitável amar alguém?

Bem, primeiro acho importante referir que o amor de que aqui falo é um amor muito básico mas, creio, fundamental. Falo de amor aqui como o querer verdadeiramente o bem do outro, como o ter uma vontade sincera que o outro viva bem. E segundo, o ponto chave está no “conhecer verdadeiramente”, no apreender integralmente. Mas o que é preciso para conhecer verdadeiramente quem o outro é? Ora, imaginemos duas pessoas A e B. Como pode o A conhecer verdadeiramente o B? Acho que existem apenas 3 requisitos:

1 – O A não pode ser surdo

Sendo aqui a surdez mais do que uma deficiência do canal auditivo – uma incapacidade de dar espaço, de se deixar tocar pela história do outro, um tal centramento no Eu que obstrui toda a possibilidade de abertura ao outro. No fundo, o que é preciso é que o A tenha já pegado no seu ego e o tenha atirado para o seu lugar devido: a reciclagem. (Não vale a pena deitar o ego ao lixo, mas sim tratá-lo e aproveitá-lo para o bem.)

2 – O B não pode ser mudo

Mais uma vez, esta mudez afasta-se da limitação física e aproxima-se da incapacidade de expor aquilo que se é. É preciso que o B se conheça e que esteja disposto a partilhar as suas motivações, a sua história, as suas tristezas, os seus interesses, a fundamentação para as suas opiniões. No fundo, que o B esteja disponível para falar de si, para se abrir.

3 – A & B devem interagir

Claro que é impossível conhecer realmente, realmente, realmente alguém (até o próprio é incapaz de se conhecer totalmente) mas quanto mais tempo o A passar a conhecer o B, a compreender as suas motivações, a mergulhar na sua história, nas suas dificuldades e nas razões das suas escolhas, mais perto fica duma situação de impossibilidade de não amar. (E, mais uma vez, por amor não quero dizer que o A fique apaixonado pelo B, que goste dele ou até que concorde com a sua forma de proceder, mas sim que tenha uma sincera vontade que o outro fique bem). Assim, é preciso que A e B interajam, que passem tempo um com o outro para que o conhecimento se consubstancie.

E, tendo cumprido estes 3 pontos, tchanan! O A agora ama o B!

Sim, sim, isto é tudo muito bonito, paz e amor e etc… Mas agora, meu pequeno Manuel, diz-me: estás a afirmar que se eu tivesse a oportunidade de conhecer verdadeiramente o Trump me seria impossível não o amar? AHAHAHAH!

Certamente! Se tu estiveres verdadeiramente disposto a ouvir o Donald, a deixar que a história do Donald entre no teu íntimo, se o Donald estiver disposto a abrir-se, a partilhar as suas motivações e movimentos mais profundos e se os dois, tu e o Donald, se empenharem em comunicar fluidamente, em dar tempo a que o conhecimento mútuo aconteça, então eu aposto fortemente que dificilmente não quererás sinceramente o bem dele, que não ames o Donald.

E tudo isto porque o entenderás, o apreenderás e compreenderás porque é que ele é como é.

Acredito que esteja a ser um aspirante a sonhador, mas acredito realmente que tal aconteceria. Quantas vezes não me aconteceu já achar que tal pessoa era muito fraquinha e que tinha um valor bem reduzido mas quando a conheci realmente passei a admirá-la verdadeiramente!

Outra versão desta mini-teoria é: só se odeia (não se ama nada) quando não se conhece.

Que tem uma data de implicações bonitas também e que poderia ser uma frase de movimentos anti-racismo e afins.

Agora, deixo ainda uma pergunta: será que o facto de o A ser surdo e o B mudo são características intrínsecas das pessoas? Se assim for, esta teoria perde força porque passa a ser impossível conhecer verdadeiramente, mas não perde verdade porque não contradiz o facto de que quando se conhece realmente alguém seja impossível não amar.

Por fim, deixo um desafio a mim próprio (quem o quiser agarrar, força!) que eu não seja mudo, que não seja surdo e que queira dedicar tempo a conhecer o outro! A minha vida (e, consequentemente, a vida do mundo) será bem mais bela. Creio também que passarei a olhar para as pessoas que menos estimo com maior abertura, com mais vontade de as conhecer verdadeiramente.

Conheçamo-nos e quereremos verdadeiramente o bem do outro!

 

MANUEL SÉRVULO

Appreciator of solitude but no fool, persistent dreamer but not insatiable. Permanently dazzled but not naïve. Happiness, oh it’s you, you’ve arrived! It’s so good, so good to feel like this.

LISBON, PORTUGAL

1 comment

  1. Olá Manuel,

    Apreciei grandemente a reflexão! Não pude até deixar de sentir emoções muito fortes quando certos parágrafos me fizeram relembrar algumas das relações de amizade, repletas desse amor, que tenho vindo a cultivar, sempre aplicando a tua teoria e perfazendo os teus três requisitos básicos! Por isso, um grande obrigado!

    No entanto, e com o fim de promover o debate e continuar esta reflexão, não queria deixar de mencionar um caso recente que surgiu na minha vida e me intriga bastante, a mim, seguidor fervoroso da tua teoria. Conheci uma pessoa com quem tive a oportunidade de passar algum tempo de partilha, tentando mais uma vez preencher os três requisitos, e que posso afirmar tê-lo feito com sucesso. Ora, como consequência natural, passei a amar essa pessoa, da forma que descreveste. Esse amar que assume a forma de laços afetivos e que atrai as pessoas através do espaço e tempo. No entanto, habituado a viver dessa forma, é senão bastante o meu espanto quando constato que essa pessoa não é sujeita a essas mesmas forças de arrasto afetivo, sempre que distanciada no espaço físico, como se fosse possível ligar e desligar o amor com um botão. Que condições levam a que esta pessoa possa não ser afetada pela teoria? Como consegue ela ficar de fora e não amar depois da partilha equilibrada que enunciaste? (Estando eu bastante confiante que não se trata de uma pessoa desonesta que consiga falsificar a sua Audição, Voz e Interação). É esta a questão que muito me intriga e que gostaria de saber explicar. Será devido a um contexto educativo, social, histórico? Esta pessoa é de nacionalidade Brasileira, e foi-me já referida uma tendência Brasileira para abraçar o outro sem verdadeiramente dar. Eu duvidei sempre de tamanha generalização, sendo até parte da minha família desse país, no entanto, senti justamente a tendência descrita na minha pele. Será que existe alguma razão histórica, ambiental, social ou política que leve o povo Brasileiro a ficar fora da aplicação da tua teoria? Deverias publicar uma revisão da teoria que enuncia um efeito de correlação geográfica com a aplicabilidade da mesma? ¯\_(ツ)_/¯

    Enfim, um forte abraço e espero assim ter contribuído para a reflexão!
    Saudações de e para quem ama!

/leave a reply/