FRAGILITY

FRAGILITY

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WHAT EMOTION DO YOU BELIEVE IS UNDERRATED? 

I believe that we, out of pride, and simply because we are human, tend to underrate sad emotions, specifically the ones that show fragility.

We all do it a bit. I don’t like to reveal any kind of vulnerability, and I even try to send out an unreal image of perfection, as if it were possible for someone to be unbreakable.

But being fragile is not a sign of weakness, it is human.

Everything that is fragile breaks, like the most exquisite crystal glass. But there is something precious, unique, and beautiful in the fragility of crystal, something almost hypnotic in the possibility of it breaking. This fragility becomes more obvious when the glass is shattered into a thousand little pieces on the ground – but only when it breaks can it reflect the sunlight in random and diffuse rays, which light up a room in a unique way.

And then, the so feared fragility becomes art.

Our society should stop looking for unbreakable people, because there is no such thing, and start looking instead for the authenticity and humanism of those who embrace their own weaknesses and face all kind of emotions life has to give.

One of the most magnificent characteristics of the human being is the ability to recognize its own frailty, accepting it as part of his life story. Learning to use it and transform it into art, like a broken crystal glass.

Because true art, that which strikes our soul and changes our lives, comes from the things that break us.

It’s enough to remember that painting which never left our memory, that book that inspired us, that song that completes us because it says it all.

Art is a sensitive language that exists for the soul to express itself in its full plenitude.

It exists because words are not enough.

I believe there is Art always and when artists, the true creators of masterpieces, can translate into pieces that spirituality, those emotions, that fragility and vulnerability characteristic of the human being. So, it’s in fragility that beauty lies – the one which everyone wants to see, but few can demonstrate. It’s those emotions that make us feel weak that motivate us to create, to go further.

We should stop feeling embarrassed to demonstrate and feel whatever makes us feel diminished because it only shows we’re human.

We should stop feeling embarrassed of being vulnerable and accept we can break.

Sometimes I don’t even know how I feel. Or if I even feel anything at all. There are days in which I feel like everything is augmented and lit with bright colors. There are days when it seems as if everything I feel is sad, that I’m weak and don’t have control over my life. In those days, I leave home searching for something that can add meaning to my darkness, that can make me understand.

Once again, the answer is in fragility, this two-edged sword which, on the one hand, can light up the world and originate art, but on the other hand hurts the pride and doesn’t correspond to what society seems to expect. It alerts me and tells me I’m not infallible.

Then, I go in search of learning how to turn my fragility into art.

I turn the radio up on my car so I don’t hear the world outside and sink my mind into the sounds, the sung words, mirroring someone else’s feelings. I go to jazz concerts by the river with a glass of cheap wine on my hand and my heart synchronized to the drums, feeling the pain in the guitar solos and the vulnerability in the piano keys.

In those moments I’m sure that I feel. I feel my vulnerability, the absence of something that completes me, and the questions and restlessness grow. I feel that I fall and grow back up in spiral with the succession of unlikely chords.

And I feel Art on the tips of my fingers, but I don’t know how to let it out.

I embrace who I am and feel like my fragility makes sense. 

QUE EMOÇÃO CONSIDERAS SUB-VALORIZADA?

Eu acho que por natureza, por orgulho, e simplesmente por sermos pessoas, tendemos a subvalorizar as emoções tristes, sobretudo as que demonstram fragilidade.

Todos o fazemos um pouco. Eu não gosto de revelar qualquer tipo de vulnerabilidade, e chego mesmo a tentar passar uma imagem irreal de perfeição, como se fosse possível alguma pessoa ser inquebrável.

Mas ser frágil não é sinal de fraqueza, é humano.

Tudo o que é frágil parte, como um copo do mais requintado cristal. Mas há algo de precioso, único e bonito na fragilidade do cristal, algo quase hipnótico na possibilidade de partir. Quando a fragilidade do copo é mais evidente, é quando este se parte  em mil pequenos pedaços – mas só partido é que é capaz de refletir a luz do sol em raios difusos e aleatórios que iluminam a sala de outra forma.

E assim a tão temida fragilidade transforma-se em arte.

Por isso, a nossa sociedade deveria deixar de procurar pessoas inquebráveis, porque não existem, e passar a procurar a autenticidade e o humanismo daqueles que abraçam a sua própria fragilidade e enfrentam todo o tipo de emoções que a vida trás.

Uma das mais grandiosas características do ser humano é reconhecer a própria fragilidade, aceitá-la como parte da sua história de vida.

Aprender a usá-la e transformá-la em arte. Porque a arte de verdade, aquela que nos atinge na alma e nos faz mudar de vida, essa arte nasce daquilo que nos parte.

Basta recordar aquele quadro que nunca se apagou da memória, aquele livro que nos inspirou, aquela música que nos enche as medidas porque diz tudo.

A arte é uma linguagem sensível que existe para que a alma se expresse na sua plenitude.

Existe porque as palavras não chegam.

Eu acho que há arte sempre e quando os artistas, os verdadeiros criadores de obras-primas, conseguem traduzir para obras essa espiritualidade, essas emoções, essa fragilidade e vulnerabilidade própria do ser humano.

Por isso, é na fragilidade que está a beleza que todos querem ver, mas poucos conseguem demonstrar.

São essas emoções mais tristes, que nos fazem sentir fracos, que nos motivam a criar, a ir mais longe.

Acho que devemos parar de ter vergonha de demonstrar e de sentir o que quer que seja que nos faça sentir diminuídos, porque só revela que somos pessoas. Devemos deixar de ter vergonha de ser vulneráveis e frágeis, e aceitar que podemos partir-nos.

Eu às vezes nem sei bem o que sinto.

Ou sequer se sinto alguma coisa. Há dias em que parece que sinto tudo aumentado e iluminado com cores alegres. Há dias em que parece que tudo o que sinto é triste, que sou fraca e que não tenho controlo sobre a minha vida. Nesses dias, saio de casa em busca de qualquer coisa que dê sentido à minha escuridão, que me faça perceber.

Mais uma vez, a resposta está na fragilidade, esta faca de dois cumes, que por um lado embeleza o mundo e faz nascer arte, mas por outro fere o orgulho e aquilo que a sociedade parece esperar.

Então, vou à procura de aprender a fazer da minha fragilidade arte.

Aumento o volume do rádio do carro para deixar de ouvir o resto do mundo e afundar a minha mente nas notas, nas palavras cantadas, espelhadas de sentimentos de todos.

Vou a concertos de jazz à beira do rio, de copo de vinho barato na mão e com o coração sincronizado com a bateria, vivo a dor nos solos da guitarra, e a vulnerabilidade nas teclas do piano.

E nesses momentos tenho a certeza de que sinto.

Sinto a minha fragilidade, a ausência de algo que me complete, e crescem as minhas perguntas e inquietações. Sinto que caio e volto a subir em espiral com a sucessão dos acordes improváveis. E sinto a arte na ponta dos dedos, mas não sei como deixá-la sair de mim.

Quando consigo, abraço o que sou, e sinto que a minha fragilidade faz sentido.

JOANA NÚNCIO

I travel in search of adventure and challenges. I write because I have stories that sing loud in my life, and because I strive to immortalize thoughts through words engraved in paper. I would like to have all the answers, but because I don’t, I look for them buried deep in books and in conversations with friends. Music is part of my life, and is able to describe exactly what is going on with me. I defend truth with all my strength. I have a dark side, and feel attracted to the abysm. I am impulsive and have an easy laughter. I look people in the eye. I like to see deep into people and things. I am demanding, knowing that perfection is unattainable and that beauty is in imperfection.

LISBON, PORTUGAL

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