LIVING BEING

LIVING BEING

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A living being is complex. It requires molecules, atoms, particles, and an invisible immensity of lines and in-between lines, which pass unnoticed to the naked eye.

Functioning doesn’t require ingenuity, until there’s a short circuit. Turning the winch doesn’t harden the muscle, until it makes it hurt. Breathing is easy, until it isn’t.

The disease changes the look. The look we have over ourselves, the one others have on who we are. And the main focus frames the movie of life in a wider screen. Because perfection is only noticed when it isn’t there, and what we have is only felt when there’s nothing to lose.

Inside me, I have lungs not worthy of the title; and the grant of an inhale that would fill my chest is a remote ideal, tied in chords and moorings that gulp my air. I won’t lie, because it hurts. I won’t lie, because it is a desperate suffocation, having to beg for oxygen. I won’t lie, because when reality starts distorting, it’s my life that fades.

And there were many times when I laid down in that room of fluorescent light and ether smell, with my lips dyed blue, my skin soaked in sweat and tears, my breath gasping to be sufficient, my senses evading through my fingers; and doctors surrounding my inert body in a desperate attempt of bringing it back. And all those times, I was afraid. I was afraid, because every time I saw the “STOP” button at a palm’s reach. But I ended up leaning against “PAUSE”, only then to press “PLAY”, once again.

I’m not a fighter, as in this game I’m nothing more than a piece in a chess board, and being strong is not being indestructible – it is persisting with intelligence.

The knowledge I gained by walking the thin line was the Truth, signaled in the treaty that granted us life. The one that is always there, undercover until it catches us off guard; the one who belongs to everyone and to each one. And that truth, is the end. With no taboos or filters. With no silenced words and interrupted phrases.

Because Death is real, it happens, and it doesn’t run away when it turns to catch.

So I hear Her voice, and I let it shake me.  And in the advantage of the fear it awakens, I scream louder at Her, with the time I don’t buy, but that I make worthy. Not the pity. But the miracle in which my DNA is composed.

 

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Ser vivo é complexo. Exige moléculas, átomos, partículas e uma imensidão invisível de linhas e entrelinhas que escapam ilesas ao olho nu.

Funcionar não exige engenho até se dar o curto-circuito. Dar à manivela não endurece o músculo, até ao dia em que o faz doer. Respirar é simples, até deixar de o ser.

A doença muda o olhar. O que temos sobre nós, o que os outros têm sobre quem somos, e, o foco principal enquadra o filme da vida num ecrã maior. Porque a perfeição só é percebida, quando deixa de o ser, e o que se tem só se faz sentir quando já não há nada a perder.

Dentro de mim, tenho uns pulmões sem direito ao título, e o garantido de uma inspiração que preenche o peito é um ideal longínquo preso em cordas e amarras que me afogam o ar. Não vou mentir, porque dói. Não vou mentir, porque é um sufoco desesperante suplicar por oxigénio. Não vou mentir, porque quando a realidade se começa a distorcer, é a minha vida que desvanece.

E já foram várias as vezes em que me deitei naquela sala de luz fluorescente e cheiro a éter, com os lábios tingidos de azul, a pele encharcada em suor e lágrimas, a respiração ofegante por se fazer suficiente, os sentidos a escaparem-me por entre os dedos, e os médicos a rodearem-me o corpo inerte numa tentativa desesperada de o trazer de volta. E de todas essas vezes, tive medo. Tive medo, porque em todas elas vi o botão de “STOP” ao alcance de um palmo. Mas acabei por me encostar no modo “PAUSA”, para depois voltar a pressionar o “PLAY”.

Não sou lutadora, porque neste jogo não sou mais que uma peça num tabuleiro de Xadrez, e ser forte não é ser indestrutível, é persistir com inteligência.

O saber que ganhei ao passear na linha bamba, foi a verdade assinalada no tratado que nos certificou a vida. Aquela que está sempre lá, à socapa até nos apanhar desprevenidos, aquela que é de todos e de cada um. E essa verdade, é o fim. Sem tabus ou filtros. Sem palavras caladas e frases entre cortadas.

Porque a morte existe, acontece, e não nos foge quando se vira para apanhar.

Assim, eu oiço-lhe a voz e deixo que me faça estremecer. E na vantagem do medo que desperta, grito-lhe mais alto com o tempo que não compro, mas que faço valer. Não a pena. Mas o milagre onde se compõe o meu ADN.

MARTA D'OREY

My name has an easy laughter and a rooted character. It is written in words printed in the stories that, in me, I pack, and express out loud with a stuck-up attitude. My name is tangled in messy hair and rooted in bare feet. It is told restless and curious, assertive and stubborn. It is printed on the ground in which it steps on, and expressed in a sky it can’t locate. It dreams, but awake. It knows, but not all. It searches, but enjoys along the way. Does it live? Without certainties, but with immense joy. My name is all of this and much more. To friends? Marta will do. Pleasure? Hope not all mine.

LISBON, PORTUGAL

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