THE SILENCE THAT FILLS MY DAYS

THE SILENCE THAT FILLS MY DAYS

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I was in the metro, (lost) in the silence of my thoughts, crossing that city so big that it makes me feel small and alone.

In the silence, a lot about ourselves can be uncovered. We give space to dive deeper and let afloat of the calm waters what, out of shame, had been buried in the mud.

There is a reason for everything and there is a reason for silence – it can be imposed, or it can be a choice.

My silence had been a choice. The steps became shorter, the street became narrower, the moon was hiding from the night, and the rootless cold burnt, but the heaviest silence of all remained. Silent mind, silent life.

How many times did I ask for a break to the whirling thoughts, to the rustle of the restless day-to-day, to the thirst of making everything happen faster? And now the storms have ceased and what remains is the silence of the city, the calm of the night.

But there are days in which calm, silence and routine cannot satisfy me. I have already forgotten the times when I asked for peace.

The thing is that silence, many times, is scary because it easily becomes loneliness.

And every human being fears the cold of the soul that is felt when one is left alone in the world.

But there is a time for everything and there is a time for silence.

And when my world is silent, I read. I read because the voices fill the empty space. Because the books, in silence, are capable of bringing the dead back to life; they keep in peace the lives of heroes and villains; they store knowledge and conserve the secrets of the human soul.

It’s incredible the power of the words that, being immune to the passage of time, reveal to the reader, in silence, so many stories in between the lines.

It’s ironic how (our) human existence is so limited and short, that even the ink of printed words on a piece of paper can outlive us.

It’s curious how books live longer than people.

Maybe time is nothing more than an illusion that human beings created, which turned against their own creator, poisoning his days. Those who have too much time don’t appreciate it; those who have it counted would pay for immortality. And those who still don’t have enough silence to think about it are forced to live by clocks, schedules, and deadlines that limit creativity, liberty, and dreams.

And what about immortality?! It is just one more meaningless quest, which by rootless ambition and ungratefulness made a nest in the hearts of Men since the beginning of times. But if Men were actually given all the time in the world, we would find a way to ruin it. Because with time would come silence, and with it solitude.

The truth is, no one knows how to live with the time they have.

And I don’t know what to do with the silences that fill my days.

 

Estava no metro, no silêncio dos meus pensamentos, a atravessar aquela cidade tão grande que me faz sentir pequena e sozinha.

No silêncio descobre-se muito sobre nós próprios. Dá-mos espaço para mergulhar mais fundo, e deixarmos vir à tona da água tranquila, aquilo que tinha sido enterrado no lodo, por vergonha .

Há uma razão para tudo e há uma razão para o silêncio – ele pode ser imposto, ou pode ser uma escolha.

O meu silêncio tinha sido uma escolha. Os passos tornaram-se mais apertados, a rua teimou estreitar-se, a lua escondia-se da noite, e o frio implacável cortava mas o silêncio mais pesado que todos mantinha-se. Silêncio na mente, silêncio na vida.

Quantas vezes pedi uma pausa, aos pensamentos em turbilhão, ao reboliço do dia-a-dia agitado, à ânsia de fazer tudo rápido. E agora as tempestades passaram e o que resta é o silêncio da cidade, a calma da noite.

Mas há dias em que a calma, o silêncio e a rotina não me chegam. Já me esqueci de quando pedia paz.

É que o silêncio muitas vezes mete medo, porque caí facilmente na solidão.

E todo o ser humano teme o frio da alma que se sente quando se fica só no mundo.

Mas há um tempo para tudo e há um tempo para o silêncio.

E quando o meu mundo está em silêncio, eu leio. Leio porque as vozes preenchem o espaço vazio. Porque os livros, em silêncio, são capazes de fazer viver quem já morreu, guardam em paz as vidas de heróis e vilões, armazenam conhecimento e conservam os segredos da alma humana.

É incrível o poder das palavras que, sendo imunes à passagem do tempo, revelam no silêncio, ao leitor, tantas histórias nas entrelinhas.

É irónico como a (nossa) existência humana é tão limitada e curta que até a tinta das palavras impressas numa folha de papel nos ultrapassa no tempo de vida.

É curioso como os livros vivem mais que as pessoas.

Talvez o tempo não passe de uma ilusão que o ser humano arranjou, e que se virou contra o próprio inventor, envenenando os seus dias. Quem tem tempo em demasia não o quer, e quem o tem contado pagaria pela imortalidade. E quem, ainda não tem silêncio suficiente para pensar nesse assunto, é forçado a viver segundo os relógios, os horários, e os prazos, que limitam a criatividade, a liberdade e o sonho.

E a imortalidade?! É só mais uma busca sem sentido, que por ambição desmedida, e ingratidão, se alojou no coração dos homens desde o início dos tempos. Mas se realmente fosse dado aos homens todo o tempo do mundo, arranjaríamos uma maneira de acabar com ele. Porque com o tempo viria o silêncio e com ele a solidão.

A verdade é que ninguém sabe viver com o tempo que tem.

E eu não sei o que fazer com os silêncios que enchem os meus dias.

JOANA NÚNCIO

I travel in search of adventure and challenges. I write because I have stories that sing loud in my life, and because I strive to immortalize thoughts through words engraved in paper. I would like to have all the answers, but because I don’t, I look for them buried deep in books and in conversations with friends. Music is part of my life, and is able to describe exactly what is going on with me. I defend truth with all my strength. I have a dark side, and feel attracted to the abysm. I am impulsive and have an easy laughter. I look people in the eye. I like to see deep into people and things. I am demanding, knowing that perfection is unattainable and that beauty is in imperfection.

LISBON, PORTUGAL

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