I DON’T CHOOSE IF I’M ALIVE, BUT I CHOOSE HOW I LIVE

I DON’T CHOOSE IF I’M ALIVE, BUT I CHOOSE HOW I LIVE

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I am here. Here, everything happens. Here, there is no constant that doesn’t change, nor anything that isn’t completely altered. The rotation is transcribed in orbits, and the translation has a linear path. “The way is ahead!”, they say. I don’t even know if there’s an answer to the ones who say that with a finger pointed in the air. If I grabbed the words and nibbled their shell until I reached their core, what’s left is the seed. The fatalist truth, exempt from alternative choices.

Time builds us, life changes, the world moves. Forward.

And what about me? What about us? I don’t know about you, but this is where I come in.

I get home. Take a deep breath and woman up. I clench my fist and knock on the door. I go through the lobby and look around. I’m surrounded by walls, doors, floor and ceiling.  I deliberately decipher the direction. I go through the hallways that seem endless and I let myself go, without letting myself be taken. I sense the ground with the five senses and sweep the pavement with steady footsteps. I open the windows and escape when I catch their sight.

And the wristwatch insists in showing that the hours go by behind its pointers, and time passes without permission. I feel the tick-tock pulsing on my skin, and let it gnaw without corroding me. I keep going, wanting and knowing that it is not will that makes me stay, but it is will that makes me stand up. My bare feet get entangled in the soil where they lay, and my hair lets itself get wrapped in the wind.

My eyes dance around but don’t rest, because they know where to focus. It is in life. The one that’s gone, the one that could still be, and the one that already is.

This house is not mine. But I live in it without a permanent address. There are no rules wielded in a wooden spoon, but there is advice heard by the fireplace. There isn’t a space that doesn’t get messy, nor a drawer where I keep its emptiness. There are walls that divide, there is a ceiling that limits, and a floor that doesn’t sink. But, one day, I came to the realization of the space that I occupy. I saw matter that makes itself alive and I saw a life that is free. To choose.

Whether I like it or not, here I am. Whether I like it or not, it is true that I might not say it again. Wanting more than not wanting, I choose to choose: the handrail instead of the stairs, the agitated – not dragged – feet, the open door, the fire on, the story that rewrites itself when the narrator echoes it in his own voice.

I choose to choose, because I don’t choose if I’m alive, but I choose how I live.

 

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NÃO SEI ESTOU. SEI COMO ESTOU.

Estou aqui. Aqui algo acontece. Aqui não há contante que não se mude, nem nada que não se altere em tudo. A rotação é transcrita em órbitas e a translação tem um percurso linear. “Para a frente é o caminho”, costumam dizer. Pensando bem, nem sei se há reposta que refute o dizer de dedo em riste. Se agarrasse as palavras e lhes roesse a casca até ver caroço, o que sobra é semente. A verdade fatalista alheia de escolha alternativa.

O tempo faz-nos, a vida muda, o mundo avança. Para a frente.

Então e eu? Então e nós? Quanto a vocês não sei, mas eu entro aqui.
Chego a casa. Respiro fundo e faço-me gente. Cerro o punho e bato à porta. Passo a ombreira e olho em redor. Estou cercada de paredes, portas, chão e teto. Com pés e cabeça decifro a direção. Percorro os corredores que parecem não ter fim e deixo-me levar sem deixar que me levem. Apalpo o terreno com os cinco sentidos, e varro o soalho com pegadas bem vincadas. Abro as janelas e escapo-lhes quando lhes alcanço a vista.

E o relógio de pulso insiste em contar que as horas giram atrás dos ponteiros, e que o tempo passa sem que ninguém peça. Sinto o “Tic-Tac” pulsar-me na pele e deixo que me roa sem corroer. Só não permito que me passe a perna, porque ando a correr. Sigo e prossigo querendo e sabendo que não é a vontade que me faz ficar, mas aquela que me faz levantar. Os pés descalços entranham-se na terra onde assentam e os cabelos deixam-se envolver no sabor do vento.

O olhar dança ao redor, mas não repousa porque sabe onde focar. É na vida. Que já foi, que poderá ser, e que já é.

Esta casa não é minha. Mas é nela que vivo sem morada permanente. Não há regras empunhadas na colher de pau, mas há conselhos que se ouvem junto à lareira. Não há espaço que não se desarrume, nem gaveta onde não guarde o vazio. Há paredes que dividem, há um teto que limita, e um chão que não afunda. Mas, um dia, dei por mim, e vi um espaço que ocupo. Vi matéria que se faz ser e vi uma vida que é livre ao escolher.

Quer queira, quer não, aqui estou eu. Quer queira quer não, é verdade que posso não voltar a dizer. Querendo mais do que não querendo, escolho escolher.

O corrimão ao invés das escadas, os pés agitados e não arrastados, a porta aberta, O lume aceso, a história que se rescreve quando o narrador a ecoa na própria voz.

MARTA D'OREY

My name has an easy laughter and a rooted character. It is written in words printed in the stories that, in me, I pack, and express out loud with a stuck-up attitude. My name is tangled in messy hair and rooted in bare feet. It is told restless and curious, assertive and stubborn. It is printed on the ground in which it steps on, and expressed in a sky it can’t locate. It dreams, but awake. It knows, but not all. It searches, but enjoys along the way. Does it live? Without certainties, but with immense joy. My name is all of this and much more. To friends? Marta will do. Pleasure? Hope not all mine.

LISBON, PORTUGAL

1 comment

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